domingo, 1 de novembro de 2009

O DESENHO INFANTIL

Francisco B. Assumpção Jr.


O desenho é uma forma de comunicação que fica no meio do caminho entre o brincar e o pensar. Daquele traz o aspecto lúdico e prazeiroso e do último carrega a possibilidade de estruturar idéias, pensamentos e de construir um mundo real e imaginário.

Segundo alguns estudiosos, a criança começa desenhando mais o que sabe do fenômeno do que aquilo que realmente vê. Assim, muito antes de procurar copiar situações reais que presencia, ela desenha aquilo que conhece de uma pessoa ou de um objeto.

Conforme sua idade e seu momento de desenvolvimento, ela representa essa realidade de modo diferente, não somente pelo seu desenvolvimento gráfico, mas principalmente pelo seu desenvolvimento mental, que lhe permite compreender o mundo de maneiras diferentes.

Em um primeiro momento, aproximadamente entre os 2 e os 5/6 anos de idade, a criança desenha de acordo com um significado que ela mesma atribui a ele. Passa assim de representações muito simples e primitivas até desenhos mais elaborados e mais próximos a realidade pessoal.

É a partir dos 7/8 anos que ela começa realmente a desenhar aquilo que vê, começando inclusive a, aos poucos, elaborar perspectivas espaciais nas figuras que faz, com melhores planos de conjunto e proporções métricas. Paralelamente, com o desenvolvimento de um padrão moral próprio e não mais copiado dos pais, ela passa a criticar mais a sua produção ocultando mais aquilo que pensa.

Entretanto, ao mesmo tempo que é claro que a criança se projeta em suas produções - desenhos, brincadeiras - revelando desejos, frustrações e aprendizado, é também claro que a observação desses fenômenos não pode ser considerada de maneira linear e simbólica ,com cada elemento tendo um significado específico. Isso porque o desenho nada mais é do que uma forma de representação da existência infantil, só podendo ser compreendido portanto dentro de um contexto. Dessa maneira, deve-se ser muito cauteloso quando se interpretam desenhos ou jogos infantis. Eles proporcionam, isso sim, mais um elemento para que um profissional possa, apoiado em uma história clínica e no exame da criança, obter maiores informações sobre ela mesma.


Dessa maneira, um desenho isolado não tem significado. A respeito do desenho enviado, algumas poucas coisas podem ser ditas, uma vez que o autor representa somente a figura materna, aliás provavelmente a mais importante dentro de sua constelação familiar com as demais figuras podendo ter vários significados, somente possíveis de serem considerados em função dela própria .

Seria extremamente audacioso pensar que qualquer presença tivesse um sentido absoluto, passível de ser decodificado como um símbolo universal. Isso porque em realidade, ela pode representar desde aspirações do desenhista até o reconhecimento de companheiros, a necessidade de companhia ou um sem número de possibilidades.

É importante se considerar que os desenhos não permitem predizermos condutas, a evolução da criança ou quaisquer outras possibilidades vistas de maneira isolada.

Eles são, isso sim, somente mais uma possibilidade para podermos compreendê-la dentro de seu mundo e de sua realidade. Porém, para que tenham sentido, devem ser vistos dentro de um contexto amplo.

fonte: psiquiatriainfantil.com.br


                                       

A CRIANÇA E O BRINQUEDO

Francisco B. Assumpção Jr.





O brincar é parte integrante do universo infantil sendo através dele que ela aprende, progressivamente, a se relacionar com o ambiente e consigo mesma.

Dessa maneira ele depende muito mais do desenvolvimento da criança do que de processos de mídia e de publicidade.

Logo nos primeiros meses, o seu brincar é puramente exploratório, com ênfase nos processos sensoriais e, os brinquedos utilizados, dependem assim muito mais de sua consistência, textura, cor e som que emitem, possibilitando à criança, possibilidades de estimulação a nível auditivo, visual, tátil e, esporadicamente, olfativo ou gustativo. Ao final desse período, já próximo dos dois anos, encontramos a criança com a capacidade de “imitar” padrões de comportamento, simplesmente com finalidade lúdica e exploratória. É freqüente assim, a encontrarmos “fingindo que está dormindo”, por exemplo.

Com o advento do pensamento Pré-Operatório, entre dois e seis anos de idade, aproximadamente, o padrão de brincadeiras transforma-se naquilo que é chamado de jogo simbólico, através do qual, a criança manipula o ambiente com sua fantasia, transformando-o para que se adapte.

Desse período são brinquedos pouco estruturados que permitem à ela a utilização da fantasia e a projeção de suas próprias experiências. Dessa maneira, uma menina que “briga” com sua boneca mas depois permite que ela faça aquilo que não podia, não somente repete o modelo familiar observado como o corrige, em sua fantasia, para poder melhor aceitar e compreender as limitações impostas pelo meio.

Após os 7 anos de idade, com o período de operações concretas, as brincadeiras tornam-se mais elaboradas, com os jogos se constituindo em jogos de regras, através dos quais a criança aprende a interagir com o outro de maneira regrada e, portanto, adaptada socialmente, e os jogos de construção, através dos quais ela elabora idéias e as passa do mundo mental para o mundo concreto, de maneira cada vez mais sofisticada e eficaz.

Dessa maneira, o brincar vai possibilitando à criança, durante seu desenvolvimento, a possibilidade cada vez maior, de poder se relacionar adequadamente com o mundo circunjacente, primeiramente de forma imitativa, depois de maneira cada vez mais própria e criativa, permitindo-lhe o caminhar em direção a sua autonomia.

O que os pais podem fazer.


Habitualmente, quando vão comprar presentes, principalmente brinquedos, os pais deixam-se influenciar pela propaganda e pela necessidade de procurarem dar aos filhos o material mais caro e sofisticados que existe no mercado.

Ao fazerem isso, correm o risco de, pouco tempo após darem o material a criança aborrece-se e para de utilizá-lo, preferindo utilizar, em suas brincadeiras, material barato e pouco sofisticado. Não são poucas as vezes em que os pais queixam-se de que “em lugar de brincar com o trenzinho elétrico, a criança prefere brincar com uma porção de porcarias”.

Esse fato mostra exatamente uma das funções do brinquedo que costuma ser ignorada pelo adulto. Ele serve para que a criança possa relacionar-se com as coisas e, dessa maneira, quanto mais estruturado, menores são as suas possibilidades de utilização. Assim, somente após o advento do pensamento concreto, e com a criança já em idade escolar, é que os brinquedos mais rígidos, como os jogos com regras tipo damas ou xadrez, são utilizados a contento.

Mesmo assim, se observarmos o sucesso de jogos de construção tipo LEGO, veremos que o mundo infantil demanda possibilidades de expressão e essa, mais do que dependente da publicidade, é analisada e validada por uma só pessoa: a criança, que usualmente mesmo mobilizada pela propaganda, após receber um brinquedo o analisa e, se ele não supre suas reais necessidades, não o utiliza. Por isso, ao comprar um brinquedo para seu filho, mais do que algo sofisticado, pense se ele representa o mundo infantil ou é somente a projeção do adulto na criança em questão.

fonte: psiquiatriainfantil.com.br

                                      

Ilustrações e Evangelismo Infantil - Jesus e as crianças













fonte: picasaweb.google.com/PRISCELLOS

 

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